09 fevereiro 2011

O ano do Coelho

O ano do Coelho iniciou com muitos planos!
Tenho que terminar o mestrado, e só isso já é um bom trabalho.
Mas como num tá faciu pa ningm, ainda vou fazer várias iluminações pra Velha Companhia e pra Boa Companhia.
É isso ae, colhendo frutos.
Agora como sou um artista inquieto, já estamos montando novos projetos com a Cia. Zero Zero e o Teatro de Senhoritas.
PUTAQUOPARIU.
Acho que não vou ter tempo de fazer mais nada.
Claro que como eu sou idiota, resolvi ainda me matricular no terceiro ano da aula de alemão.
Alguém me salva?


E o salário, ó.

29 junho 2010

Blog dos Quadrinhos

No meio dos meus estudos para o mestrado, já tive várias agradáveis surpresas, como descobrir livros do Will Eisner sobre teoria da Arte Sequencial.
A mais recente surpresa agradável foi o "A Leitura dos Quadrinhos" de Paulo Ramos. Ele faz uma análise baseada nos gêneros do Bakhtin, e agrupa vários pensamentos sobre os quadrinhos em um livro conciso e justo sobre a semiologia desse tipo de arte.

Paulo também mantém um blog na Uol muito interessante, pra gente que gosta da nona arte!
http://blogdosquadrinhos.blog.uol.com.br/

Divirtam-se!

13 abril 2010

Uma História Completa do Ciúme Sexual (parte 17 a 24) - Momus

Eu tenho ciúme das pessoas por quem eu me apaixono.
Eu tenho ciúme das pessoas as queias eu tento parecer.
Eu tenho até ciúme das pessoas que me odeiam. Que me odeiem mais.
Eu tenho ciúme do homem que você já magoou.
Eu tenho ciúme do homem que você conhceu antes, em uma vida que eu nunca vou fazer fazer.
~História Completa da Inveja Sexual - Parte 17 a 24

Tem mais em um estranho do que podemos perceber a primeira vista. Eu sei que tem mais. Se olhar pudesse matar, eu mataria o homem cujo olhar poderia te matar se olhares pudessem matar. E o homem que diz "não competir" sabe que o amor à competição pode instigar.

- Alguém conhece esse cara?
- Eu tô te incomodando?
- Você está matando meu orgulho.
- Eu morro todos os dias.

Eu tenho ciúmes das pessoas que te perguntam se tem alguém te comendo.
Eu tenho ciúmes dos homens que você deixou pra depois. Talvez você nunca vá levá-los pra cama. Eu sinto o fogo dentro deles alimentado o amor não-correspondido.
Eu não acredito em amor Platônico, mas ainda assim, tenho ciúme de Platão.
~História Completa do Ciúme Sexual, ou História Completa da Completa Promiscuidade, ou um livro que estou escrevendo sobre Fúria e Infidelidade - Parte 17 a 24.

- Venha para os meus braços, minha amante. Deixa-me ser seu santuário. Venha para os meus braços, onde você não precisa mais olhar para mim.
- Você foi estúpido o bastante para amar alguém que te machuca muito.
- Eu vou te machucar mais.

Se você realmente me ama, tem que amar minha insegurança. Provoque-a, tenha amantes. Se você realmente me ama, tem que amar o meu ciúme. Provoque-o, ame os outros.

~adaptação de Momus - Complete History of Sexual Jealousy - Part 17 to 24

18 dezembro 2009

Futebol Arte

Se o time do capitalismo jogasse futebol, talvez fosse mesmo o time canarinho. Cada um por si, e Deus contra todos.
Claro, tem que ser um time que ataca, que acredite que a melhor defesa é, mesmo, o ataque. E que jogue o tempo todo em campeonatos para ganhar. Nada de amistoso. É jogar pra dar goleada. Quanto mais goleadas conseguir dar no adversário, melhor. Não importa se o adversário é freguês, cliente ou funcionário. O que interessa é golear, e deixar que ele perca.
Aliás, o time capitalista espera isso mesmo. Que o adversário perca, perca bastante, até cair pra segunda divisão, ou pra terceira divisão, quarta, clube de várzea, miserável, more na rua e um dia morra de fome. E se na saída do estádio, formos entrevistar os jogadores, eles dirão o discurso capitalista, "Perdemos porque não jogamos bem, o outro time tava mais forte... mas Deus vai ajudar no próximo campeonato, se quem sabe a gente sobreviver até lá..."
Os juízes dos times capitalistas, é claro, também são capitalistas, e deixam ganhar quem pagar melhor. Se bobear, até eles fazem gol no time da várzea.
E a torcida é antropofágica. Ou, como diziam antigamente, canibal mesmo. São capazes de tudo pra arrancar o caro do time adversário. E do juiz. E da torcida adversário. Até invadem o campo, se sobrar uma brecha. Em partida capitalista é sempre bom ter uns policiais por perto, porque o jogo pode ser de vida ou morte. Muitas vezes é. E com sorte, a polícia consegue prender um ou dois jogadores do time adversário, só pra facilitar que o time deles lucre mais. Ops, goleie mais.

***

Já o time socialista é assim: joga na retranca. Ninguém toma gol. Nem faz gol. Todos os jogos terminam no zero a zero. Se alguém fizer gol, pode haver desigualdade esportiva, então é melhor não. Aliás, melhor nem competir mesmo. Fica só no amistoso. Talvez só no treino mesmo. Todo mundo treina, todo mundo fica melhor. Todo mundo joga bem por ali. Só não compete.
Como ninguém perde, ninguém chora, a imprensa não tem muito o que fazer na saída do estádio. No máximo o repórter dá sua própria opinião: "Ninguém ganhou o jogo hoje de novo, aqui no estádio da capital!" e aponta o microfone para o jogador e pergunta se ele está triste por não ter ganho, e o jogador responde "Não, tá tudo bem. Mas eu sinto inveja daqueles capitalistas que jogam pra ganhar e ficam felizes da vida."
E a platéia do futebol socialista? Não tem. Pra quê? Vai terminar em zero a zero mesmo! Eles foram eles mesmos jogar futebol. Todo mundo tá jogando futebol, nos campos, nas várzeas, nos quintais. É isso que eles gostam de fazer.
E os juízes têm de monte, porque em todo lugar tem gente jogando. Alguns se revezam entre ser juiz e ser jogador. E não, ninguém gosta do juiz mesmo assim. Ele continua tendo a mãe homenageada durante o jogo.

***

Mas qualquer semelhança com a vida real é mera coincidência. Todo mundo sabe que futebol é futebol, e que capitalismo e socialismo são sistemas políticos. Não têm nada a ver um com o outro. Ou quase nada.